algumas (das minhas) verdades sobre mudar de profissão | beda 2018 #15

15.8.18


Ou: o começo da minha trajetória da arquitetura até a fotografia.

Depois de muitos anos de estudo e perrengues de uma vida como estagiária, em 2015 eu estava finalmente formada como arquiteta e completando meu primeiro ano de trabalho com carteira assinada. E, ao mesmo tempo, eu nunca havia me sentido tão triste, desanimada e desmotivada com a minha carreira. Por coincidência do destino -ou não-, nessa mesma época eu estava absurdamente empolgada com o blog e com a fotografia, estudando muito sobre o assunto (havia comprado minha primeira câmera dslr nesse mesmo ano) e também estava começando a me aventurar na fotografia de retratos (usando amigas como cobaias). Levava essa vida de blogs e de fotógrafa entusiasta como motivo pra levantar da cama todos os dias, já que a vida como recém-formada em arquitetura só me puxava para o fundo do poço. É triste, mas é real. Apesar de tudo, mesmo depois de ser mandada embora e começar 2016 com uma liberdade enorme para escolher qual caminho seguir, não conseguia ver a fotografia como um destino tão certo. Algumas pessoas já me viam como fotógrafa nessa época, mas eu demorei MUITO tempo pra conseguir me enxergar assim. Eu sentia -e ainda senti por muito tempo depois disso- o peso de deixar minha área de formação de lado, como se eu estivesse fazendo algo muito errado. Pensava em todos aqueles anos de estudo, na família me perguntando se eu estava procurando emprego na área, nos amigos da faculdade partindo pra pós-graduação, e me culpava. Não só por não estar fazendo nada daquilo, mas também não QUERER fazer.

Como podem ver, me desapegar da minha área de formação foi um processo longo e doloroso. Só consegui de fato colocar um ponto final nessa culpa aqui em 2018 -leia-se: alguns meses atrás-, depois de mais uma tentativa frustrada de me reapaixonar por ela. Agora entendo que continuo amando arquitetura, e que ela não só me ajudou a chegar onde estou, como também me fez desenvolver um senso estético para a fotografia. Eu gosto de ver arquitetura, fotografar arquitetura, compor com arquitetura, e é só isso. E tá tudo bem. Hoje, acredito que assim como a fotografia me empolga, me tira o sono, me deixa ansiosa e com vontade de aprender cada dia mais para aprimorar meu trabalho - existe por aí alguém com os mesmos sentimentos pela arquitetura. Logo, que cada um faça o seu melhor. Cada pessoa tem seu espaço e seu caminho, mesmo que às vezes seja necessário dar voltas maiores pra começar a se encontrar. O importante é sermos honestos com nós mesmos sobre o que realmente queremos para nossas vidas e irmos atrás disso apesar de todas dificuldades que aparecerem no caminho (que não foram poucas até aqui, e sei que estão longe de chegarem ao fim).

A ideia de escrever sobre isso por aqui surgiu depois que a Lary me perguntou no instagram se minha transição de carreira tinha sido difícil. Achei que esse assunto daria um bom tema de post para o blog, e aqui está. Beijos, K.

© coffee, rock & beer POR KARINE BRITTO